
O texto abaixo é parte de uma matéria escrita por Noam Chomsky. Você pode ter acesso à íntegra no link: http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/noam-chomsky/2010/01/06/ult7198u11.jhtm.
Barack Obama, o quarto presidente dos Estados Unidos a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, se junta aos outros na longa tradição de pacificação, contanto que sirva aos interesses americanos.
Todos os quatro presidentes deixaram suas marcas na "nossa pequena região aqui que nunca incomodou ninguém", como o Secretário de Guerra dos EUA, Henry L. Stimson, caracterizou o hemisfério em 1945.
Barack Obama, o quarto presidente dos Estados Unidos a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, se junta aos outros na longa tradição de pacificação, contanto que sirva aos interesses americanos.
Todos os quatro presidentes deixaram suas marcas na "nossa pequena região aqui que nunca incomodou ninguém", como o Secretário de Guerra dos EUA, Henry L. Stimson, caracterizou o hemisfério em 1945.
O presidente Barack Obama separou os Estados Unidos de quase toda a América Latina e Europa ao aceitar o golpe militar que derrubou a democracia hondurenha em junho do ano passado.
O golpe refletiu uma "divisão política e sócio-econômica escancarada", informou o "New York Times". Para a "pequena classe alta", o presidente hondurenho Manuel Zelaya estava se tornando uma ameaça ao que eles chamam de "democracia", a saber, o domínio "das mais poderosas forças empresariais e políticas no país". Zelaya estava implantando perigosas medidas, tais como um aumento do salário mínimo em um país onde 60% vivem na pobreza. Ele tinha de sair.
Os Estados Unidos recon
heceram praticamente sozinhos as eleições de novembro (com Pepe Lobo como vencedor) realizadas sob governo militar - "uma grande celebração da democracia", de acordo com Hugo Llorens, embaixador de Obama.O apoio também manteve o uso da base aérea de Palmerola em Honduras, cada vez mais valiosa, uma vez que as forças armadas americanas estão sendo expulsas da maior parte da América Latina.
Após as eleições, Lewis Anselem, representante de Obama na Organização dos Estados Americanos (OEA), instruiu os latino-americanos retrógrados que eles deveriam reconhecer o golpe militar e se juntar aos Estados Unidos "no mundo real, não no mundo do realismo fantástico".
Obama abriu caminho no apoio ao golpe militar. O governo dos EUA mantém o Instituto Republicano Internacional (IRI) e o Instituto Democrático Nacional (IDN), que deveriam promover a democracia.
O IRI apóia regularmente golpes militares para derrubar governos eleitos, tendo sido os mais recentes na Venezuela, em 2002, e no Haiti, em 2004.
Mas o IDN hesitou. Em Honduras, pela primeira vez, o IDN de Obama concordou em observar as eleições sob governo militar, ao contrário da OEA e das Nações U
nidas, ainda vagando no mundo do realismo fantástico.
Dadas as conexões próximas entre o Pentágono e as forças armadas hondurenhas, e a enorme influência econômica dos EUA no país, teria sido algo simples se Obama quisesse se juntar ao empenho latino-americano ou europeu em proteger a democracia hondurenha.
Mas Obama preferiu a política tradicional.
Em sua história de relações hemisféricas, o acadêmico britânico Gordon Connell-Smith escreve, "Ao mesmo tempo em que fingem encorajar o incentivo da democracia representativa na América Latina, os Estados Unidos têm um forte interesse no exato oposto", exceto por uma "democracia processual, especialmente o adiamento das eleições, que muitas vezes se provaram ridículas".
Uma democracia operante pode responder a preocupações populares, enquanto "os Estados Unidos têm se preocupado em encorajar as condições mais favoráveis para seus investimentos particulares no exterior".
Não enxergar os fatos requer uma grande dose do que por vezes tem sido chamado de "ignorância intencional".
Tal cegueira deve ser guardada com zelo, se a violência de Estado seguir seu curso - sempre pelo bem da humanidade, como Obama relembrou em seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel.
O IRI apóia regularmente golpes militares para derrubar governos eleitos, tendo sido os mais recentes na Venezuela, em 2002, e no Haiti, em 2004.
Mas o IDN hesitou. Em Honduras, pela primeira vez, o IDN de Obama concordou em observar as eleições sob governo militar, ao contrário da OEA e das Nações U
nidas, ainda vagando no mundo do realismo fantástico.Dadas as conexões próximas entre o Pentágono e as forças armadas hondurenhas, e a enorme influência econômica dos EUA no país, teria sido algo simples se Obama quisesse se juntar ao empenho latino-americano ou europeu em proteger a democracia hondurenha.
Mas Obama preferiu a política tradicional.
Em sua história de relações hemisféricas, o acadêmico britânico Gordon Connell-Smith escreve, "Ao mesmo tempo em que fingem encorajar o incentivo da democracia representativa na América Latina, os Estados Unidos têm um forte interesse no exato oposto", exceto por uma "democracia processual, especialmente o adiamento das eleições, que muitas vezes se provaram ridículas".
Uma democracia operante pode responder a preocupações populares, enquanto "os Estados Unidos têm se preocupado em encorajar as condições mais favoráveis para seus investimentos particulares no exterior".
Não enxergar os fatos requer uma grande dose do que por vezes tem sido chamado de "ignorância intencional".
Tal cegueira deve ser guardada com zelo, se a violência de Estado seguir seu curso - sempre pelo bem da humanidade, como Obama relembrou em seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel.
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